VOUZELA, 17 de Julho de 2024
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Fátima Vasconcelos

Eu mulher vítima de violência doméstica em tempo de COVID 19, me confesso…

13 de Abril 2020

Eu sou vítima de violência doméstica, quando o meu marido/companheiro, me vê não como uma pessoa, mas como um objeto, que pode controlar de todas as formas e feitios. Controla os meus movimentos e atreve-se até a visualizar/controlar os meus pensamentos, dizendo-me coisas que nunca me passaram sequer pela cabeça. “Tu tens amantes, tu estavas a olhar para aquele com desejo… “se não queres ir para a cama comigo, é porque me traís” …

Eu sou vítima de violência doméstica, quando o meu marido/companheiro me diz: “tu és feia, gorda, má esposa, má mãe, não vales nada na cama, és um zero, por isso tenho amantes”….

Eu sou vítima de violência doméstica, quando o meu marido/companheiro no auge da sua frustração e porque eu tenho de ser sempre a culpada de algo,  não consegue controlar a sua raiva e impulsos e  “castiga-me”, não sei eu de quê e ele, aposto que muito menos, agride-me fisicamente, a ponto de me deixar irreconhecível e  paralisada de movimentos e medo…

Eu sou vítima de violência doméstica quando o meu marido/ companheiro quer e exige ter relações sexuais, porque lhe apetece… e se eu não estou com vontade, que estivesse, afinal sou apenas um objeto de que se serve e tantas e tantas vezes sou “forçada” a fazê-lo….

Se antes, da pandemia se instalar no quotidiano de todos nós, o terror que sentia ao ouvir a chave dobrar na fechadura era inimaginável, hoje em confinamento com o meu agressor devido ao Covid 19, passo os dias e as noites em desassossego, sem perceber como cheguei até aqui e como posso sair desta vida, com vida…

Eu, Fátima, não posso sequer tentar perceber como te sentes, porque felizmente nunca fui vítima numa situação do género, mas posso dizer-te que ainda e sempre há solução e que podes sair deste ciclo violento. O teu agressor, como já te deves ter apercebido, não vai mudar. Foram tantas as promessas que te fez, foram tantas as juras de amor e tudo volta ao mesmo…

Basta quereres sair deste inferno… Não é fácil… mas é POSSÍVEL.  Bem sei que estás fragilizada, que tens medo… mas tenta ter um bocadinho de coragem.

Bem sei que agora os teus movimentos estão a ser mais controlados, mas usa a tua imaginação, pede ajuda a algum familiar,  aos teus filhos se estes já são maiores.

A Rede Nacional de apoio a vítimas de violência doméstica, continua a funcionar: Liga GRATUITAMENTE: 112, 144, 800202148, manda um sms para o 3060.

Se estás nos Açores liga 800262728. O canal do youtube: histórias tristes finais felizes, também pode ajudar-te, envia um email para: historiastristesfinalfeliz@gmail.com.

As autoridades policiais continuam a receber denúncias, as Casas Abrigo, continuam a acolher e apoiar vítimas de violência doméstica e seus filh@s.

Os técnicos que estão no terreno têm formação especifica para lidar com casos como o teu, vão apoiar-te e  explicar-te como deverás sair em segurança… Na tua cabeça, tal situação pode parecer impossível, mas estes especialistas estão preparados para te aconselhar da melhor forma, indicando-te o momento e a hora mais segura para o fazeres.

Tu és a pessoa mais importante da tua vida. Faz com que a tua história triste tenha um final feliz.

 

Fátima Vasconcelos – Técnica de apoio à vítima


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