VOUZELA, 6 de Fevereiro de 2023
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No lugar das plantas: Ortigais

20 de Novembro 2021

Planta conhecida (e temida) pela generalidade das pessoas, a urtiga, ou ortigão como também costuma ser designada, pode crescer em abundância sob determinadas condições ambientais, não sendo assim de surpreender que apareça como elemento botânico na origem do nome de vários locais. Ortigais, na União das Freguesias de Fataunços e Figueiredo das Donas, é um exemplo de um destes topónimos, designando um local onde crescem urtigas.

As urtigas são plantas herbáceas que podem atingir metro e meio de altura e viver um ou mais anos, dependendo da espécie. Preferem solos húmidos e ricos em matéria orgânica, desde locais perturbados como bermas de caminhos, até bosques e margens de linhas de água; o estabelecimento das urtigas é também muito favorecido pela mobilização do solo, como acontece em terrenos dedicados à agricultura.

Uma das características mais conhecidas das urtigas é a presença de pêlos urticantes nos caules e folhas, pelo que tocar nestas plantas pode causar erupções cutâneas ou manchas vermelhas na pele, acompanhadas de uma sensação localizada de ardor provocada pela libertação de vários compostos químicos como o ácido fórmico, a mesma substância que causa irritação após sermos picados por formigas. É este ardor que está na origem do nome “urtiga”, pois esta palavra evoluiu do latim urtica, de urere, que significa “queimar”. Mas não é razão para mandar já tudo às urtigas.

Estes pêlos constituem uma proteção da planta contra a maioria dos animais herbívoros – picar para não ser comida! Contudo, mesmo com estes mecanismos de defesa, as urtigas são uma fonte de alimento importante para muitos insetos. Várias espécies de borboletas usam estas plantas para pôr os seus ovos, pelo que as suas larvas consomem as folhas nutritivas. Para além disso, algumas espécies de aves, como os pardais, são apreciadoras das suas sementes.

Apesar de serem geralmente consideradas ervas daninhas, as urtigas têm sido utilizadas para diversos fins. Toda a planta, desde as folhas até à raiz, tem propriedades medicinais. Em algumas regiões, constitui também um alimento de grande qualidade devido à sua riqueza nutricional; depois de cozinhadas, perdem completamente as propriedades irritantes. Outras utilizações incluem a sua aplicação em cosmética e na utilização das suas fibras abundantes na produção de têxteis.

 

José Costa & António Carmo Gouveia*

*Texto escrito no âmbito do consórcio F4F – Forest for Future do serQ, projeto PP20, coordenado pelo Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e pela Vouzelar, cofinanciado pelo Centro 2020, Portugal 2020 e União Europeia, através do FSE.


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