VOUZELA, 2 de Dezembro de 2021
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No lugar das plantas: Giesteira

16 de Outubro 2021

As giestas são um elemento da vegetação frequente em muitos locais do país, especialmente no norte e centro. A sua abundância reflete-se na existência de topónimos que aludem a estas plantas. A localidade de Giesteira, na freguesia de Queirã, é um destes exemplos.

O nome “giesta” é uma designação comum atribuída a vários arbustos diferentes da família Fabaceae, conhecida pela família das leguminosas e que reúne plantas como a olaia, a alfarrobeira ou o tremoceiro. Na região de Vouzela, são conhecidas por giesta pelo menos cinco espécies, incluindo todas as do género Cytisus, a giesta-piorneira (Genista florida), e por vezes também os codeços, do género Adenocarpus, planta de que já falámos a propósito de Póvoa de Codeçais. Destas espécies, a mais frequente é a giesta-amarela (Cytisus striatus), cujo crescimento é muito favorecido pelos incêndios. Todas estas plantas partilham algumas semelhanças morfológicas, como a ausência de espinhos, os ramos longos e direitos, as folhas relativamente pequenas e flores amarelas; apenas uma destas giestas, a giesta-branca (Cytisus multiflorus), possui flores (como se adivinha) brancas. O período de floração é variável: as espécies de Cytisus florescem no início da primavera, enquanto a giesta-piorneira e os codeços florescem no verão. No entanto, todas produzem frutos em forma de vagem que, quando maduras, abrem e libertam as sementes.

As giestas crescem em solos ácidos, proliferando em locais perturbados e em orlas e clareiras de bosques. Após graves perturbações como os incêndios, estas plantas agem como espécies colonizadoras de locais abertos, contribuindo para um rápido recobrimento das áreas ardidas, minimizando a erosão e o efeito das temperaturas extremas no solo e nas outras espécies. No entanto, formam frequentemente povoamentos muito densos, os giestais, que cobrem grandes áreas e dificultam o estabelecimento de novas plantas, perpetuando assim o giestal no tempo até que uma nova perturbação ocorra. Em certas situações pode tornar-se necessário intervir, de forma a diminuir a densidade de giestas para promover o aumento da biodiversidade e diminuir o risco de incêndios.

As giestas também são capazes de se associar a bactérias do solo que se abrigam nas suas raízes e são capazes de fixar azoto atmosférico, contribuindo para o aumento da fertilidade do solo. Esta característica é desde há muito tempo aproveitada pelas populações, através da sementeira de giestas em campos agrícolas, durante os períodos de pousio, para aumentar a fertilidade dos solos. Da giesta também se utilizavam os ramos para fabricar utensílios com vassouras ou cestos, e a madeira era utilizada nos fornos. Pelo facto de não exigirem grandes cuidados, terem um crescimento rápido e uma floração intensa, as giestas têm potencial como plantas ornamentais, podendo ser utilizadas em jardins e parques.

José Costa & António Carmo Gouveia

 

*Texto escrito no âmbito do consórcio F4F – Forest for Future do serQ, projeto PP20, coordenado pelo Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e pela Vouzelar, cofinanciado pelo Centro 2020, Portugal 2020 e União Europeia, através do FSE.


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