VOUZELA, 6 de Fevereiro de 2023
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No lugar das plantas: Amial

8 de Janeiro 2022

O Amial, localizado na União de Freguesias de Fataunços e Figueiredo das Donas, é um topónimo que deve o seu nome a uma árvore, o amieiro Alnus lusitanica. De facto, “amial” é o nome dado ao lugar onde crescem amieiros.

O amieiro é uma árvore de folha caduca que pode atingir até 25 metros de altura, de crescimento rápido e longevidade mediana, raramente atingindo os 120 anos. Esta espécie é tolerante ao encharcamento do solo, crescendo na margem de cursos de água permanentes ou em áreas pantanosas, por vezes de forma dominante, constituindo nesse caso os ameais ou amiais.

Produz flores em abundância no final do inverno, antes do aparecimento das folhas. Os frutos desenvolvem-se em estruturas que lembram pequenas pinhas e que amadurecem a partir do final do verão. No entanto, as sementes só são libertadas no inverno seguinte, altura em que constituem uma importante fonte de alimento para muitas aves.

Uma característica interessante desta espécie é a de ter a capacidade de albergar, nas suas raízes, bactérias fixadoras de azoto atmosférico. Esta particularidade, associada à quantidade de folhada que produz anualmente, faz com que o amieiro contribua significativamente para o aumento da fertilidade do solo. Ao reter os sedimentos com suas raízes, a sua presença nas margens dos cursos de água ajuda a segurar o solo, protegendo as margens da erosão provocada pela água.

Trata-se de uma espécie à qual os seres humanos têm dado múltiplos usos. Partes do amieiro, como as folhas e casca, são utilizadas com fins medicinais. A casca pode também ser usada na indústria de curtumes e na obtenção de corantes. Produz uma madeira macia e que muda de cor após o corte, passando de branca para alaranjada, muito utilizada no fabrico de utensílios e mobiliário. O amieiro é uma planta muito resiliente ao corte, uma vez que tende a rebrotar de forma vigorosa. Em locais ajardinados com presença permanente de água, de cursos de água ou lagoas artificiais, é uma espécie com grande valor ornamental.

José Costa & António Carmo Gouveia*

*Texto escrito no âmbito do consórcio F4F – Forest for Future do serQ, projeto PP20, coordenado pelo Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e pela Vouzelar, cofinanciado pelo Centro 2020, Portugal 2020 e União Europeia, através do FSE.


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