VOUZELA, 20 de Fevereiro de 2024
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“As crianças precisam sobretudo de pais felizes” 

17 de Maio 2021

“As crianças precisam sobretudo de pais felizes”. Foi com esta frase que a psicóloga Cristina Nogueira da Fonseca impressionou e certamente deixou a reflectir muitos pais, e não só, que assistiram à conferência online “Parentalidade Feliz”, organizada pelo Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS) 4G de Oliveira de Frades.

A especialista em psicologia positiva, que leva vários anos a estudar o tema da felicidade, começou por desafiar os participantes com duas perguntas: porque quiseram ser pais ou mães e o que é que um bom pai ou uma boa mãe devem fazer? A dificuldade de resposta à primeira levou a psicóloga a sublinhar a importância de reflectir sobre o assunto, “porque se não tenho essa resposta e se não sei à partida, posso, sem dúvida nenhuma, já ter começado a criar alguns fundamentos para que a minha experiência não seja tão bonita ou não seja tão feliz, ou não seja tão fácil como gostaria”.

Na segunda questão, surgiram respostas como “dar amor”, “estar presente”, “satisfazer as necessidades básicas” ou incutir “valores”. “Sabemos tudo isto. Então porque é que isto falha tanto?”, questionou Cristina Nogueira da Fonseca, notando que “andamos a adjectivar uma palavra [parentalidade] que, por si, não deveria precisar de adjectivação”. Isto acontece, explicou, “porque não está a ser fácil, porque tem muitos desafios, porque é muito complexa, porque nos tira muitas vezes tanta energia quanto nos traz alegria”.

Seis tópicos para ser feliz

A psicóloga desafiou os pais e mães a porem em prática a “teoria da felicidade”, o que passa por seis tópicos. Os três primeiros são “emoções positivas”, “envolvimento” – na comunidade ou no que se faz diariamente, por exemplo – e “relações” positivas, de qualidade. “É eu sentir que tenho uma tribo, que tenho pessoas às quais posso recorrer”, frisou, realçando a importância de “ter relações transparentes e honestas, nas quais podemos ser quem somos e não quem achamos que devemos ser”. As “relações tóxicas”, alertou, “tornam-nos profundamente infelizes, retiram-nos tanta energia, alegria, disponibilidade para tantas outras coisas”. 

Os restantes três pontos são o “significado” ou sentido no que se faz, a “conquista” – “vejo ou não que o meu filho tem comportamentos que me deixam orgulhosa?”, por exemplo – e a “vitalidade”. “Costumo dizer que quando passamos a vida toda à espera da sexta-feira, do fim do mês, das próximas férias, estamos continuamente à espera que a nossa vida acabe”.

O “perfil do pai feliz” inclui as palavras “consciente” (“daquilo que precisamos e daquilo que os filhos podem precisar”), “pró-activo”, “generosidade”, “gratidão” – “é o elixir da felicidade e o que deveríamos trabalhar cada vez mais com os nossos filhos” -, “flexível” e “sentido de humor”.

“Não há guias de parentalidade que façam milagres”

A mudança tem de começar pelos pais. “Garanto-vos que se vocês não estiverem felizes, se não estiverem bem convosco, não há guias de parentalidade que façam milagres”. Cristina Nogueira da Fonseca desafiou os participantes a colocarem-se no lugar de filhos e a pensarem “o quanto as coisas que os nossos pais fizeram, disseram, impactaram profundamente no nosso desenvolvimento”. “Sabemos que é tão fácil sentirmo-nos amados enquanto filhos: é uma palavra, é um abraço, é um telefonema. E depois parece que esquecemos isto na nossa prática diária com aqueles que são os nossos”, lamentou. 

A concluir, “uma criança precisa de pais felizes” e “de ser educada para ser feliz e não para ser a melhor”. Por isso, “temos que educar as nossas crianças para serem felizes, para terem sentido de humor, para se rirem delas próprias, para serem gratas, serem generosas, serem criativas”, frisou a especialista. 


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